"Partido das Baratas". Protesto contra fraude nos exames marcado por confrontos com a polícia na Índia

"Partido das Baratas". Protesto contra fraude nos exames marcado por confrontos com a polícia na Índia

Os apoiantes do "Partido da Barata", liderado por jovens indianos, foram agredidos com bastões pela polícia esta segunda-feira, quando tentavam marchar em direção ao Parlamento em Nova Deli.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Anushree Fadnavis - Reuters

Milhares de famílias e jovens indianos tentaram, esta segunda-feira, marchar até ao Parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, na sequência de uma alegada fraude nos exames de acesso à Universidade.

No entanto, os manifestantes foram atacados com bastões e alvo de gás lacrimogéneo por parte da polícia, que tinha declarado a marcha ilegal e mobilizado recursos significativos para proteger o Parlamento e os edifícios públicos.

“Qualquer pessoa que viole esta proibição será sujeita a um processo”, avisou a polícia nas redes sociais.

A Polícia de Nova Deli negou qualquer uso de força e afirmou que o "protesto está a ser tratado profissionalmente".
Escândalo levou ao suicídio de estudantes
A manifestação tinha sido convocada e organizada pelo “Partido das Baratas” - um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente do Supremo Tribunal, na qual comparou os jovens desempregados a baratas.

O movimento exige a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, na sequência de um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso a cursos de medicina, o que levou à anulação de um exame realizado por mais de dois milhões de estudantes. Segundo os meios de comunicação locais, a anulação do exame resultou no suicídio de vários estudantes.

Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do Parlamento, tendo o movimento crescido bastante depois de um conceituado engenheiro e ativista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta ao escândalo com os exames.

A tensão aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o ativista à força para o hospital.

Em resposta, o fundador do “Partido das Baratas”, Abhijeet Dipke, anunciou que iria também iniciar uma "greve de fome por tempo indeterminado".

O movimento tinha afirmado que Dipke tinha sido detido pela polícia, esta segunda-feira, no meio dos protestos. No entanto, mais tarde, o movimento veio declarar que o seu fundador não estava, afinal, detido.
"Usar a força para silenciar"
Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião.

Líderes importantes do Governo de Modi adotaram uma linha dura contra o movimento, com o ministro da Educação a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido.

O líder da oposição na câmara alta do Parlamento, Mallikarjun Kharge, denunciou o uso da força pela polícia para dispersar os manifestantes. “O Governo está a tentar usar a força para os silenciar”, disse Kharge durante a sessão parlamentar desta segunda-feira. “Isto diz respeito ao futuro de centenas de milhares dos nossos jovens”, acrescentou.

O primeiro-ministro indiano, Nerendra Modi, que discursou antes do início da sessão parlamentar, não fez qualquer menção à manifestação.

O movimento “Barata” e o protesto planeado são vistos como o maior desafio público ao primeiro-ministro indiano, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, ativistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood.

Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo ativistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.

c/agências
Tópicos
PUB